Acerca do design de interface

Com a evolução da computação e a penetração da informática em cada vez mais sectores de actividade social, a manipulação da informação sofreu profundas alterações, nomeadamente no que toca às interfaces que promovem e tornam consequente a interacção entre utilizador e computador. Estas desenvolveram-se e diversificaram-se no sentido de se adaptarem às especificidades, tendo em consideração o seu público-alvo, assim como o contexto e paradigma interactivo que servem.
É distinta a interface de um software de edição de texto, como o que serve para escrever estas linhas, de uma interface narrativa que permite o desenrolar de uma história e a imersão do utilizador no espaço de interacção. No primeiro caso pretende-se uma interface que possibilite um trabalho eficaz, no segundo uma interface cuja forma esteja implicada com o seu conteúdo, ou seja, que a forma seja construída de acordo e ao mesmo tempo que o conteúdo. Aqui, a interface contextualiza e forma o espaço interactivo; criam-se imagens que promovem estímulos emocionais e estrutura-se o espaço de interacção permitindo ao utilizador habitá-lo, interagindo com os seus elementos. Imagem e estrutura, forma e conteúdo formam um todo interligado sendo a “voz visual” o elemento de conexão entre estes elementos.
Ao longo do tempo as interfaces têm sido foco de interesse por um conjunto de actividades cada vez mais alargado, desde a Engenharia ao Design Gráfico, o que originou o desenvolvimento de novas disciplinas projectuais como o Design de Interacção e o Design de Informação e Visualização. E para cada uma delas contribuem um leque cada vez mais alargado de disciplinas como a Informática, o Design de Comunicação, o Cinema, a Animação, ou as Artes Digitais, por sua vez uma deriva das Artes Plásticas.
Actualmente fala-se em interfaces enquanto objecto cultural e existe um desenvolvimento muito grande e diverso na forma como se manipula e visualiza informação. Podemos ver interfaces de visualização e ordenação dos e-mails recebidos, das relações sociais existentes entre os frequentadores de um blog, de visualização e análise de histórias pessoais organizadas espacial e cronologicamente, de visualização, em forma de composição mais ou menos artística, das acções cotadas em bolsa das setenta e quatro maiores empresas do ano, de interfaces para telemóveis que promovem a comunicação emocional, através da composição da mensagem verbal com a mensagem visual, etc. De notar, que neste tipo de desenvolvimentos estão presentes alguns dos ingredientes provenientes do design e das artes: a preocupação com a organização das formas e cores no espaço visual/espaço de interacção, ou seja, a composição, o layout e a preocupação com a imagem, ou um sistema assente em imagens e naquilo que podem provocar. Nestas composições interface e conteúdo são cada vez mais indivisíveis. Está, também, presente a união entre “voz visual”, a forma como os elementos são organizados esteticamente e a comunicação emocional. Para estes desenvolvimentos tiveram particular importância da utilização e massificação da informática na vida quotidiana que promove uma interacção mais simples e mais eficaz para um público menos especializado. Generalizaram-se os dispositivos com o objectivo de generalizar o diálogo pessoa – computador em aplicações genéricas e formou-se um corpo teórico que foi sendo desenvolvido a par do aumento da importância destas questões, recorrendo a um leque de disciplinas cada vez mais alargado.
A evolução da computação tem implicações na interacção utilizador computador: o aumento muito grande do uso de computadores, especialmente por pessoas fora das profissões da computação, o que promove o aumento da inovação nas técnicas de input de informação que combinadas com baixo custo leva ao rápido acesso à computação por pessoas deixadas de fora da revolução dos computadores.
Nas últimas décadas tem sido dada cada vez mais importância às interfaces das aplicações computacionais. Estas envolvem todos os aspectos de um sistema com o qual mantemos contacto. É através delas que os utilizadores têm acesso às funções da aplicação. Factores de satisfação subjectiva, de eficiência, de segurança, de custo de treino, de retorno de investimento, todos dependem de um bom design de interface.

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